Março 2011

Não se espera pela festa porque a festa não espera por nós.
A roupa despe-se quando é a única coisa que nos separa do que nos vai fazer sentir.
A música existe para nos lembrar que há coisas que a razão não explica.
Uma discoteca é um bom sítio para aprender isto tudo.
Este mês ensina-te para sempre.

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Vasco Araújo, “Ad Verbum”, 2010

“O Dia pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”. Enquanto dançamos na discoteca, por momentos, as luzes negras são accionadas. É então que a instalação de Vasco Araújo (n.1975, Lisboa) “explode” pelas paredes.
Apenas em momentos precisos durante a noite.
Muitos já têm a sua frase eleita, seja a mais lírica ou a mais jocosa. É bom estar dentro da caverna.
SP

vascoaraujo.org Cortesia do artista e Galeria Filomena Soares

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Fevereiro 2011

Algo está a acontecer sem ti. Algures no mundo algo mudou sem te perguntar nada. Quase tudo desconhece que tu existes. Ninguém te deve nada. Por esta altura já percebeste que saber exigir é saber existir. Por esta altura já sabes que aquilo que te dás não tem imposto e é só valor acrescentado. Esperar dez vezes é desesperar. Este mês aprende a ocupar uma coluna da discoteca e exige a música toda só para ti.

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Pedro Gomes, “Sem título” 2010

“O Dia pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”. Entramos. Mesmo antes de subir a escada para o bar somos recebidos por alguém que parece tapar a boca, os ouvidos, os olhos. Pedro Gomes (n.1972, Moçambique) concebeu um desenho (em contraplacado) que nos alerta, pela representação do fechamento dos sentidos, para a sua maior percepção. Este é um dos melhores sítios para o fazer – boca, olhos e ouvidos bem abertos!
SP

http://sites.google.com/site/pedrogomesarte Cortesia do artista e Galeria 111

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Janeiro 2011

Do princípio.
Para começar não estás sozinho/a.
Apesar das tuas habilidades sociais, do que o destino te reservou, da cara que os genes dos teus pais congeminaram para ti, se cantas ou danças, se aplaudes ou marcas o ritmo, consegues sempre, e se quiseres, fazer e manter um amigo. O que não escolhes é o teu meio. O que te envolve quase nunca te devolve aquilo que lhe dás. Por isso saber como e a quem dar é tão importante como dar, ou como a outra misteriosa arte de saber receber. Para dar e receber é preciso aproximarmo-nos do diferente com algo de comum.
A partilha é o ponto de partida.
Por princípio, independentemente do meio, rodeia-te de quem sabe receber. O fim que tens garantido e o que tens escolhido são mais fáceis ao lado de um amigo.
Este mês aprende a rodear-te de quem quer estar à tua volta.

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Gabriel Abrantes (com Daniel Schmidt), ‘2003, 2004, 2002… 2002’, 2010

‘O Dia pela Noite’ é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar ‘O Dia pela Noite’.
Uma sala muito pequena, uma espécie de quarto escuro para dois, mesmo a meio das escadas que nos levam à discoteca.
E um filme. Gabriel Abrantes e Daniel Schmidt criaram uma obra que cruza duas épocas temporais distintas: os nossos dias e a viagem de duas raparigas ao Lux;
e um estranho sonho passado no tempo da Inquisição, onde se encontram cavaleiros e mouros.
SP

mutualrespectproductions.blogspot.com Cortesia dos artistas

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Dezembro 2010

Somos armazéns para guardar tudo o que vivemos. Somos a soma de todas as parcelas que chegam ao nosso balcão. Recolectores, fomos ensinados a acumular e aprendemos sozinhos a seleccionar, processar e reduzir. Uns melhor que outros. Com tudo guardado nada se estraga dentro de nós – a não ser o receptáculo. Para continuarmos a aprender temos de dar largas e largar uns quantos monos. Para não esquecer não nos podemos lembrar de tudo. Reinicia-te.

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Francisco Queirós, “constantino”, 2010

“O Dia pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”.

“May a dream bring love to you”… É uma das frases que lemos na intervenção de Francisco Queirós (n.1972, Lisboa), “constantino” (o título é assim mesmo em caixa baixa). As obras deste artista misturam imagem e linguagem – é preciso ler e descobrir, com atenção, o boxeur, a estranha figura que parece querer saltar do topo da sua cabeça, a rapariga em cima do cavalo…
As intervenções de Queirós ocupam as duas paredes “gémeas” junto a um dos bares do piso 1. Exactamente do lado oposto a “constantino” vemos um conjunto de coelhos a rodear um lago e a estranha doença que os ataca… “myxomatosis”…
SP

franciscoqueiros.com Cortesia do artista e Galeria Presença

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Novembro 2010

O silêncio é quando ninguém se ouve. Quem quer dançar e conversar sem ouvir só consegue mover-se e falar. Calas quando te calas, calas quando só falas. A música é um apêndice se ninguém a dançar, uma canção não vale nada se ninguém a ouvir. Se ninguém te ouvir é provável que tu não ouças ninguém. Uma discoteca não é lugar para silêncio. Este mês aprende e ensina a ouvir.

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Alexandre Farto “I was here the whole time”, 2010 Parede esculpida 300 x 400 cm (aprox.)

Alexandre Farto, “I was here the whole time”, 2010
“O Dia pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transfor- mam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”.
Quando subimos as escadas até ao terraço, para apanhar ar, pode passar despercebida, mas uma das instalações de Alexan- dre Farto (n.1987, Lisboa) criadas para “O Dia Pela Noite” é bem visível quando regressamos, em movimento descendente, de volta ao bar. Lemos claramente as letras escavadas na parede branca à nossa frente anunciando o tempo e a presença de alguma coisa, de alguém ou do próprio espectador – “I was here the whole time”.
As outras intervenções de Farto situam-se igualmente em espaços de transição, de caminho para. “Fading Remains” apresenta-nos um skyline lisboeta trazido para o interior, nas escadas que descem para o piso térreo, e a meio do caminho temos “Glimpse”, uma instalação vídeo que parece pulsar e anunciar o som vindo da discoteca…
SP

alexandrefarto.com Cortesia do artista, Vera Cortês Agência de Arte e Lazarides Gallery.

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Outubro 2010

A oportunidade não faz nada que tu não faças. As consequências precisam sempre de um primeiro passo, por mais inconsequente que seja. Vê-las passar tem graça mas não bate a glória de as agarrar. Deixa-te de merdas e oferece-te ao quilo, oferece-te àquilo que queres. Não te percas nem percas peso a repensar. Este mês aprende a não perder uma oportunidade.

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Mafalda Santos “And The Beat Goes On”, 2010 Intervenção site specific (acrílico sobre colunas) (15x) 400 x 150 cm

“O Dia pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”.

A história do Lux. Quem cá tocou, quem por cá passou. A instalação de Mafalda Santos (n.1980, Porto), “And The Beat Goes On”, ocupa quase todas as colunas do piso do bar. Todas juntas formam uma espécie de frequência, um diagrama de cores. Cada coluna corresponde a um ano de existência do Lux. Os nomes estão todos lá. Procurem, pensem e relembrem-se. Estiveram cá nessa noite?

SP

mafaldasantos.net
Cortesia da artista e Galeria Presença.

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Setembro 2010

Não tenhas medo, por que assim, é o medo que te tem a ti. Sente-o e ouve o que ele te avisa. Pergunta-lhe de volta que razões tem para te agitar. Matuta, tamborila os dedos e conclui se está certo ou a exagerar. A decisão de te aproximares ou dares um passo atrás é sempre tua. O medo é um grilo falante que não sabe tudo.

O medo também aprende contigo. Este mês ensina o medo a dançar.

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Francisco Vidal, “Funky Portuguesas”, 2010

“O Dia pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”.
Durante estes meses, já sabemos, apetece estar lá fora. A obra que escolhemos destacar para este flyer da rentrée é “Funky Portuguesas”, a instalação de Francisco Vidal composta por 7 bandeiras alteradas que contam parte da história do nosso país. Porque o Cais da Pedra é um porto e Santa Apolónia está mesmo aqui em frente.
Nas casas de banho do primeiro andar podemos ver e ouvir um vídeo enquanto fazemos outras coisas. “Bandeira Nacional di Fim” (2010), também produzido especialmente para “O Dia pela Noite” pelo mesmo artista, é uma animação feita a partir do antigo fim de emissão da RTP, em que o hino nacional soava sobre a imagem de uma bandeira esvoaçante. O som que ouvimos a ecoar pelas paredes das casas de banho é outro hino – uma peça da artista Rita GT, “Hino à Alegria em Miau”, de 2008.
SP

“Funky Portuguesas”, 2010 Tecido, metal (7x) 180 x 100 cm
Cortesia do artista

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Julho / Agosto 2010

Não somos peças soltas nem somos para ser sozinhos.
Já reparam no espaço que vai da ponta do queixo até à base do nariz, aquela parte da nossa cara com a boca mesmo ao meio? E já repararam como cabe na perfeição no pescoço de outra pessoa, aquela parte do nossa anatomia que liga a cabeça ao corpo?
Durante um abraço, nunca pensaram em como um sistema de encaixe tão simples vos pode fazer sentir que pertencem, só por causa de dois braços abertos e depois fechados à nossa volta. E duas mãos dadas, já viram o que consolidam?
O ritmo é o som que fazemos ao mexermos o corpo que temos. E quando damos o corpo que temos e nos deixamos encaixar, pertencemos e fazemos música, harmoniosa música. Somos peças que encaixam e têm um sítio reservado, perfeito. Não somos feitos para estar sozinhos porque há infinitas mil maneiras de estarmos acompanhados. Por isso, há que dançar para encontrar o nosso lugar, para haver quem harmonize por cima do nosso ritmo.
Para ficarmos juntos e a gosto, Julho e Agosto, é um bom mês para começar outra vez.

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Pedro Barateiro, “Boca de Cena”, 2010

“O Dia Pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”.

A obra que escolhemos para este flyer é “Boca de Cena”, uma escultura que está instalada no terraço, de Pedro Barateiro (n.1979, Almada). É lá que já nos habituámos a sentar, a rir, a dançar, a tirar fotografias, e é mesmo esse o intuito da obra em questão – a peça é apenas accionada quando o espectador decide vivê-la. O artista propõe uma série de acções, aqui ficam algumas para se quiserem acrescentarem à vossa lista: beijar, encenar peças de teatro amador, dormir, conversar com alguém que não conhecemos, pensar, fazer yoga, ficar à espera do nascer do sol, olhar para os outros e para nós próprios como actores e espectadores… ou então, inventem as vossas!
SP

“Boca de Cena”, 2010 Estrutura metálica, Viroc (aglomerado de madeira e cimento) 270 x 400 x 550 cm

Cortesia do artista e Galeria Pedro Cera pedro-barateiro.blogspot.com

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Junho é um bom mês para começar outra vez

Porque é que a luz dourada do Verão nos bronzeia?
Porque é que é o ouro que nos transforma em bronze?

Seja física ou alquimia, seja como for, chegando o Verão o que interessa é o descanso.

Chega Junho e no solstício o que importa é lavar – a vista, os pés, a alma. Torrar na areia e imprimir a sol e iodo por cima da radiação de televisores e monitores de um ano inteiro de trabalho e tédio. Férias contra as feras e os fretes de compromissos e comprimidos para descomprimir. Desligar.

E depois de limpos e reiniciados, poder dançar outra vez como uma debutante nesta vida, com a pele queimada e o cabelo a cheirar a Timotei, saidinha do duche e da casca, depois de chegarmos da praia.

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Rodrigo Oliveira, “We Cannot Escape From Each Other”, 2010

“O Dia Pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”.
A obra que escolhemos para o flyer deste mês é uma enorme instalação de Rodrigo Oliveira (n.1978, Sintra). É impossível não passar por ela, ocupa a totalidade da parede do bar e da cabine de DJ do piso 1. Alguns, de longe, já lá viram uma espécie de neon de Las Vegas, outros o seu reflexo cheio de palavras na câmara fotográfica do telemóvel.
Somos nós e os outros. A dançar, a falar, de copo na mão. Vemos o nosso reflexo no espelho, lemos bocados de uma frase que nos mostra o inevitável. É impossível, também, escapar a esta obra.
SP

“We Cannot Escape From Each Other”, 2010 Acrílico espelhado, estruturas auxiliares, resina epoxy, leds com instalação eléctrica 1500 x 300 cm
Cortesia do artista e Galeria Filomena Soares www.rodrigooliveira.com

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