Com o frio vem a febre.
E é essa febre que já nos morde os calcanhares, atazana-nos. Este Inverno e esta chuva que nos obrigam a ficar em casa a rodear o sofá e rever quase toda a nossa colecção de dvd’s, dá-nos a febre. Aquela febre de cabana de quem é forçado pela intempérie a hibernar – e nós sem sono nenhum. A febre que se cura com pele de fora e sub-graves a subirem pelas plantas dos pés e a fazerem-nos levantar os braços, delirantes e em delírio.
Devíamos chamar a este mês Febreiro – o mês limite, quando o tédio se começa a tornar insuportável
e começamos a ter visões e a ouvir vozes. Vozes que nos chamam para o frio atrás da música, para sítios onde podemos encostar a nossa pele a outras peles e sentirmos outros corpos quentes para matar o tédio com a certeza que há mais quem tenha febre nesta cidade.
De qualquer das maneiras não se preocupem com termómetros, porque para quem já não sua há algum tempo, Fevereiro é um bom mês para começar outra vez.

Allen Jones, “Dance with the Head and the Legs…”, 1963
Lembram-se das esculturas do bar do leite na “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick? Foram baseadas nas obras do artista pop britânico Allen Jones.
Jones nasceu em Southampton em 1937 e é muito conhecido pelas suas esculturas de figuras femininas transformadas em “mobiliário”. Mas Allen Jones utilizou diferentes técnicas ao longo da sua carreira: litografia, aguarela, fotografia, vídeo e pintura.
A obra que este mês aparece aqui em formato “poster” é T“Dance with the Head and the Legs…”, uma pintura a óleo pertencente à Colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Podem guardar ou colocar na parede, mas também podem ver a obra original na exposição “Abstracção e Figura Humana na Colecção de Arte Britânica do CAM ”, neste momento no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e até 18 de Abril.
SP
“Dance with the Head and the Legs…”, 1963
(Dança com a Cabeça e as Pernas…)
óleo sobre tela
183 x 152 cm
Cortesia Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian.
www.gulbenkian.pt
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Bem contadas devem ser mais de cento e cinquenta páginas onde couberam muitas dezenas de milhares de caracteres (e múltiplos caracteres). Mas nem sequer é uma questão de quantidade. Se tudo aconteceu nos últimos meses, eis a pausa auto contemplativa antes da metamorfose.




Há dias, ao desligar o telefone, depois de uma conversa com uma amiga minha, disse para mim próprio: pronto, começou a silly season!