Author Archive for Lux

Setembro 2010

Não tenhas medo, por que assim, é o medo que te tem a ti. Sente-o e ouve o que ele te avisa. Pergunta-lhe de volta que razões tem para te agitar. Matuta, tamborila os dedos e conclui se está certo ou a exagerar. A decisão de te aproximares ou dares um passo atrás é sempre tua. O medo é um grilo falante que não sabe tudo.

O medo também aprende contigo. Este mês ensina o medo a dançar.

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Francisco Vidal, “Funky Portuguesas”, 2010

“O Dia pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”.
Durante estes meses, já sabemos, apetece estar lá fora. A obra que escolhemos destacar para este flyer da rentrée é “Funky Portuguesas”, a instalação de Francisco Vidal composta por 7 bandeiras alteradas que contam parte da história do nosso país. Porque o Cais da Pedra é um porto e Santa Apolónia está mesmo aqui em frente.
Nas casas de banho do primeiro andar podemos ver e ouvir um vídeo enquanto fazemos outras coisas. “Bandeira Nacional di Fim” (2010), também produzido especialmente para “O Dia pela Noite” pelo mesmo artista, é uma animação feita a partir do antigo fim de emissão da RTP, em que o hino nacional soava sobre a imagem de uma bandeira esvoaçante. O som que ouvimos a ecoar pelas paredes das casas de banho é outro hino – uma peça da artista Rita GT, “Hino à Alegria em Miau”, de 2008.
SP

“Funky Portuguesas”, 2010 Tecido, metal (7x) 180 x 100 cm
Cortesia do artista

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Julho / Agosto 2010

Não somos peças soltas nem somos para ser sozinhos.
Já reparam no espaço que vai da ponta do queixo até à base do nariz, aquela parte da nossa cara com a boca mesmo ao meio? E já repararam como cabe na perfeição no pescoço de outra pessoa, aquela parte do nossa anatomia que liga a cabeça ao corpo?
Durante um abraço, nunca pensaram em como um sistema de encaixe tão simples vos pode fazer sentir que pertencem, só por causa de dois braços abertos e depois fechados à nossa volta. E duas mãos dadas, já viram o que consolidam?
O ritmo é o som que fazemos ao mexermos o corpo que temos. E quando damos o corpo que temos e nos deixamos encaixar, pertencemos e fazemos música, harmoniosa música. Somos peças que encaixam e têm um sítio reservado, perfeito. Não somos feitos para estar sozinhos porque há infinitas mil maneiras de estarmos acompanhados. Por isso, há que dançar para encontrar o nosso lugar, para haver quem harmonize por cima do nosso ritmo.
Para ficarmos juntos e a gosto, Julho e Agosto, é um bom mês para começar outra vez.

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Pedro Barateiro, “Boca de Cena”, 2010

“O Dia Pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”.

A obra que escolhemos para este flyer é “Boca de Cena”, uma escultura que está instalada no terraço, de Pedro Barateiro (n.1979, Almada). É lá que já nos habituámos a sentar, a rir, a dançar, a tirar fotografias, e é mesmo esse o intuito da obra em questão - a peça é apenas accionada quando o espectador decide vivê-la. O artista propõe uma série de acções, aqui ficam algumas para se quiserem acrescentarem à vossa lista: beijar, encenar peças de teatro amador, dormir, conversar com alguém que não conhecemos, pensar, fazer yoga, ficar à espera do nascer do sol, olhar para os outros e para nós próprios como actores e espectadores… ou então, inventem as vossas!
SP

“Boca de Cena”, 2010 Estrutura metálica, Viroc (aglomerado de madeira e cimento) 270 x 400 x 550 cm

Cortesia do artista e Galeria Pedro Cera pedro-barateiro.blogspot.com

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Junho é um bom mês para começar outra vez

Porque é que a luz dourada do Verão nos bronzeia?
Porque é que é o ouro que nos transforma em bronze?

Seja física ou alquimia, seja como for, chegando o Verão o que interessa é o descanso.

Chega Junho e no solstício o que importa é lavar – a vista, os pés, a alma. Torrar na areia e imprimir a sol e iodo por cima da radiação de televisores e monitores de um ano inteiro de trabalho e tédio. Férias contra as feras e os fretes de compromissos e comprimidos para descomprimir. Desligar.

E depois de limpos e reiniciados, poder dançar outra vez como uma debutante nesta vida, com a pele queimada e o cabelo a cheirar a Timotei, saidinha do duche e da casca, depois de chegarmos da praia.

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Rodrigo Oliveira, “We Cannot Escape From Each Other”, 2010

“O Dia Pela Noite” é o nome do conjunto de 10 intervenções feitas por 10 artistas plásticos, que durante 10 meses transformam o Lux. É desta maneira que queremos marcar o começo de uma nova década. A trocar “O Dia pela Noite”.
A obra que escolhemos para o flyer deste mês é uma enorme instalação de Rodrigo Oliveira (n.1978, Sintra). É impossível não passar por ela, ocupa a totalidade da parede do bar e da cabine de DJ do piso 1. Alguns, de longe, já lá viram uma espécie de neon de Las Vegas, outros o seu reflexo cheio de palavras na câmara fotográfica do telemóvel.
Somos nós e os outros. A dançar, a falar, de copo na mão. Vemos o nosso reflexo no espelho, lemos bocados de uma frase que nos mostra o inevitável. É impossível, também, escapar a esta obra.
SP

“We Cannot Escape From Each Other”, 2010 Acrílico espelhado, estruturas auxiliares, resina epoxy, leds com instalação eléctrica 1500 x 300 cm
Cortesia do artista e Galeria Filomena Soares www.rodrigooliveira.com

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Maio é um bom mês para começar outra vez

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Lourdes Castro, “teatro de sombras, as CinCo estações”, 1979

Maio é mês de poda, Maio é mês de muda.
Maio não é mais ou menos, Maio é tudo de bom, é todos os optimistas a saírem do armário e a deixarem lá dentro o peso dos casacos de Inverno. Maio
vê as calças a encolher e os ombros a invadiram as ruas. A pele volta á cidade e os cabelos levantam-se para mostrar pescoços e nucas à tanto tempo por detrás de cachecóis e outros abafos.
Maio é mês de abrir as janelas e deixar uma brisa fresca, nunca fria, entrar. Maio é mês de limpezas e de começar a pensar com mais luz. Maio é mês de tirar empecilhos da frente, fazer comida para os amigos e mais uma data de gente. Este é o mês para se fazer um filho e acreditar que ele ou ela vão fazer desta cidade um sítio ainda melhor. Maio é um bom mês para começar outra vez

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Abril é um bom mês para começar outra vez

Somos todos capitães da nossa própria liberdade.
Somos responsáveis até quando escolhemos não escolher.
Uma no cravo e 74 na ferradura. O que importa é que o cavalo que nos carregue ande sempre calçado. E seja qual for o taxista e o preço da bandeirada, o nosso destino apontamo-lo nós. Para diante é para onde estivermos virados.
 
E para onde vamos, vamos andando. E andando, andamos cansados. Mas atenção, poder andar é um descanso, porque não queremos que ninguém ande por nós.
Queremos é que as nossas ideias se estiquem para além, sempre além, das nossas bocas, mais longas que os nossos braços. Que os nossos corpos desistam antes, sempre antes, das nossas mentes.
 
Somos todos capitães da nossa própria liberdade e esta não é uma boa altura para desistir. Abril é, e sempre será, um bom mês para começar outra vez.

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Lourdes Castro, “Teatro de Sombras, As cinco estações”, 1979

Desde o final da década de 50, que Lourdes Castro investiga e utiliza a sombra como seu tema principal. O perfil de alguém, recortado em plexiglass, a cores fortes. A artista pedia aos amigos para lhe “emprestarem” a sombra. Alguém que fuma um cigarro, alguém sentado numa cadeira, alguém que tira uma fotografia. 

É uma das artistas portuguesas mais importantes da contemporaneidade. 
O Museu de Serralves, no Porto, inaugurou recentemente uma importante antológica que reúne o trabalho de Castro e também de Manuel Zimbro, com quem viveu e colaborou durante três décadas. “Lourdes Castro e Manuel Zimbro: A Luz da Sombra” está no Museu de Serralves até 13 de Julho. 
    
A obra de arte que este mês aparece aqui em formato “poster” é uma imagem de um dos espectáculos realizados pela artista e Manuel Zimbro, parte integrante de uma série de experimentações feitas durante os anos 70. “Acções” com hora marcada, inspiradas na tradição chinesa do Teatro de Sombras e nos happenings, frequentes durante essa década de boom artístico.

SP

“Teatro de Sombras, As cinco estações”, 1979
Fotografia: Monika Haas
Cortesia da artista e Museu de Serralves.
www.serralves.pt

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Março é um bom mês para começar outra vez

Acaba o ano fiscal e impõem-se os impostos. O que tem de ser tem muita forca, desculpem, força. As estações também têm de mudar mas não há meio de começar a primavera. a boa vida que já fizemos por merecer, o calor ao qual, que arrepiados e de pingo no nariz, já ganhámos o direito, nunca mais chegam.
Já fizemos os deveres e agora queremos o direito à rua, de preferência com muito menos roupa. tem de ser, tem mesmo de ser. depois de queimar pestanas e teclas de calculadoras à volta do modelo 3, queremos o que temos direito, queremos calor para tirar a roupa, para nos tirar de casa. exigimos o direito a dançar e não fazer contas às horas para esquecer as horas que passamos a fazer as contas e todos os deveres.

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TATJANA DOLL, “PICT_ISOTYPE_TANZ2/PICT_ISOTYPE_DANCE2, 2009

Telas de grandes dimensões que mostram carros, camiões, aviões, comboios, barcos, contentores, sinais de trânsito, pictogramas.
Parecem enormes “billboards”. As telas são feitas com tinta de esmalte, bem brilhante, para reproduzir as figurações escolhidas. Os erros que
entretanto acontecem ao pintar, ficam por lá e são assumidos pela autora. A artista alemã Tatjana Doll (n.1970) utiliza um dicionário
visual urbano, a que estamos bem habituados, nas suas peças.
As pinturas de Doll têm sido expostas em locais como o Museu de Serralves, no Porto, o Museu de Arte Moderna, em Paris e o PS1/MoMa, em Nova Iorque. A artista está a preparar uma grande exposição para o Museu Wilhelm-Hack, na Alemanha.
A obra de arte que este mês aparece aqui em formato “poster” tem um título que nos remete para sistemas de numeração, e é mesmo essa a intenção da artista. O que vemos é-nos bem familiar – são os pictogramas, a sinalização universal, que nasceu pela mão do designer otto aicher, e foi feita para os Jogos Olímpicos de 1972. “Rapaz-e-rapariga-dançam” ou “sítio-onde-se-pode-dançar”, é essa a mensagem directa e simples. Um pictograma mais que apropriado para o nosso contexto. Já sabem o que têm a fazer.

SP

“ PICT_ISOTYPE_TANZ2/PICT_ISOTYPE_DANCE2”, 2009
300cm x 200cm, Enamel on canvas
Foto: Bernd Borchardt
Cortesia da artista e Cristina Guerra Contemporary Art
www.cristinaguerra.com
www.tatjanadoll.de

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Fevereiro é um bom mês para começar outra vez

Com o frio vem a febre.

E é essa febre que já nos morde os calcanhares, atazana-nos. Este Inverno e esta chuva que nos obrigam a ficar em casa a rodear o sofá e rever quase toda a nossa colecção de dvd’s, dá-nos a febre. Aquela febre de cabana de quem é forçado pela intempérie a hibernar – e nós sem sono nenhum. A febre que se cura com pele de fora e sub-graves a subirem pelas plantas dos pés e a fazerem-nos levantar os braços, delirantes e em delírio.

Devíamos chamar a este mês Febreiro – o mês limite, quando o tédio se começa a tornar insuportável

e começamos a ter visões e a ouvir vozes. Vozes que nos chamam para o frio atrás da música, para sítios onde podemos encostar a nossa pele a outras peles e sentirmos outros corpos quentes para matar o tédio com a certeza que há mais quem tenha febre nesta cidade.

De qualquer das maneiras não se preocupem com termómetros, porque para quem já não sua há algum tempo, Fevereiro é um bom mês para começar outra vez.

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Allen Jones, “Dance with the Head and the Legs…”, 1963

Lembram-se das esculturas do bar do leite na “Laranja Mecânica” de Stanley Kubrick? Foram baseadas nas obras do artista pop britânico Allen Jones.

Jones nasceu em Southampton em 1937 e é muito conhecido pelas suas esculturas de figuras femininas transformadas em “mobiliário”. Mas Allen Jones utilizou diferentes técnicas ao longo da sua carreira: litografia, aguarela, fotografia, vídeo e pintura.

A obra que este mês aparece aqui em formato “poster” é T“Dance with the Head and the Legs…”, uma pintura a óleo pertencente à Colecção do Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. Podem guardar ou colocar na parede, mas também podem ver a obra original na exposição “Abstracção e Figura Humana na Colecção de Arte Britânica do CAM ”, neste momento no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e até 18 de Abril.

SP

“Dance with the Head and the Legs…”, 1963
(Dança com a Cabeça e as Pernas…)
óleo sobre tela
183 x 152 cm
Cortesia Centro de Arte Moderna, Fundação Calouste Gulbenkian.
www.gulbenkian.pt

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Janeiro é um bom mês para começar outra vez

A nostalgia é um prazer venenoso que nos embebeda de saudade e nos leva a dizer “antes é que era”. O antes já foi e o que interessa é o que vamos fazer agora. E seja o que for queremos fazê-lo convosco, na pista de dança até vermos nascer o sol de mais um dia. E aqui estamos vivos e juntos a cumprir a primeira década de um novo milénio. Vivos e juntos para por esses quintais adentro cantarmos orvalhadas e janeiras a raparigas casadas e solteiras. Vivos e juntos no início de um ano novo, ainda a acreditar no Amor e que a nossa vida é sempre para diante. Agora é altura de todos os inícios, porque Janeiro é um bom mês para começar outra vez.

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Edgar Martins, “Caminho de Circulação de Aeronaves”, 2006

Edgar Martins nasceu em Évora (em 1977), mas cresceu em Macau.
Desde 1996 que vive em Inglaterra. Foi nesta primeira década do século XXI, que está mesmo agora a terminar, que começou a expor regularmente e foi reconhecido nacional e internacionalmente. No passado mês de Abril foi-lhe atribuído o Prémio BES Photo. Mas isto é apenas uma pequena parcela dos prémios e da atenção que tem recebido nos últimos tempos. Em 2010 e 2011 terá exposições individuais no Centre Culturel Calouste Gulbenkian, em Paris, e no Museu da Electricidade, em Lisboa.

A obra que este mês aparece aqui em formato “poster” é “Caminho de Circulação de Aeronaves”, 2006. Faz parte da série “Aproximações”, que nas palavras do autor, “é menos um conjunto de imagens e mais uma série de momentos na qual espaços, sinais e acontecimentos na paisagem se tornaram independentes de causalidade ou de função. Ela providencia encontros com um tempo tocado pela eternidade.”

Escolhemos esta fotografia porque não é necessário ver a totalidade da palavra escrita no alcatrão do aeroporto para perceber a direcção apontada. Porque, claro, nas palavras de Amadeo de Souza-Cardoso – a “nossa vida está toda para adiante”. Venha mais uma década, estamos prontos. SP

Edgar Martins, “Caminho de Circulação de Aeronaves”, 2006
Aeroporto Francisco Sá Carneiro da série “Aproximações”.
Prova por revelação cromogénea, colada sobre alumínio
98 x 127 cm

© Edgar Martins (www.edgarmartins.com)
Cortesia do artista e Galeria Graça Brandão

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Dezembro é um bom mês para começar outra vez

Estamos quase a acabar a primeira década do século XXI. Somos as pessoas que deram vida aos anos zero do novo milénio e mais ninguém fez e viu o que fizemos e vimos. Como civilização talvez nunca tenhamos estado tão conscientes do Tempo e da História. Com Dezembro acaba também 2009, mas é connosco que a história continua. Acordámos que o tempo fosse a maneira de medir as voltas que a vida dá. Acordámos e adormecemos no subir e descer do sol. Um dia e um mês e um ano e lembramo-nos que concordámos que o tempo passasse. Lembramo-nos que não temos assim tanto tempo quando ele continua a passar sem pedir o nosso acordo. E sentimos que o perdemos, queixamo-nos que não estica. E chega o dia de celebrarmos porque temos os dias contados - chega o 31 e festejamos o tempo que ainda falta e embebedamo-nos com a esperança de queainda há tempo para isto ficar melhor. Vai, podem crer que vai ficar melhor, só depende de nós. Dezembro é um bom mês para começar outra vez…
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Rodrigo Oliveira, “We Are in This Together”, 2007
Arquivos. Colecções. Objectos que vai recolhendo, imagens de edifícios, documentos históricos, filmes, recortes de jornais e de revistas. É daqui que Rodrigo Oliveira (n. 1978, Sintra) parte para conceber as suas obras. A variedade de suportes que depois utiliza confronta e às vezes despista” o espectador – portas basculantes que abrem quando passamos, esculturas inflamáveis (maquetas de edifícios modernistas feitas de caixas de fósforos que o artista faz arder), intervenções arquitectónicas e alterações de grande escala de um determinado espaço. Mas também muitos desenhos, fotografias, colagens – obras que lidam com diferentes escalas. São sempre peças que, utilizando objectos e estruturas familiares, nos fazem questionar utopias sociais, políticas e o próprio contexto artístico. A obra que este mês aparece aqui em formato “poster” é “We Are in This Together”. São duas alianças unidas e gravadas, literalmente, para sempre. Segundo o artista, “um jogo entre emoção, relacionamentos afectivos e partilha”, “uma aliança, um pacto”. Uma metáfora e inevitabilidade perfeita para acabar o ano, ou melhor e mais correctamente, para começar uma nova década. Estamos mesmo nisto juntos.
SP
Rodrigo Oliveira, “We Are in This Together”, 2007
Aliança dupla em ouro (13,1 g) 18 quilates com inscrição gravada.
Cortesia do artista e da Galeria Filomena Soares.

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