Da esquerda para a direita e em contínuo, de cima para baixo. Página a página, entre as mãos. Costumava ser assim, mas hoje com a proliferação de novos suportes de leitura, o acto de ler tem cada vez menos um princípio, meio e fim. Não há tempo para contemplações. É preciso velocidade. O título e esta “intro” estão garantidos…
Estas primeiras linhas também, quase de certeza. Acontece muitas vezes ir facilmente por aqui fora e ler mais uma ou duas linhas de texto, seguido, de forma contínua. É o princípio, está bem no topo da página, abaixo dos headers. Depois, se calhar, dou uma olhadela no lado esquerdo da coluna, primeiras palavras, aqui e ali, e leio mais um bocadinho na horizontal, porque até me interessa. Se não andei com o rato antes, faço-o agora e os meus olhos fazem uma vertical, pela esquerda, pelo resto do conteúdo. “Marcam-se” palavras, que é como quem diz, lêem-se palavras soltas do texto que nos parecem chave e pequenos conjuntos de palavras para obter um bocadinho mais de sentido. É preciso ser rápido e eficiente.
Ah, já percebi, isto deve ser… Há mais, espera, tem um vídeo, quanto tempo tem? Agora não. E a foto dele, então é este gajo. Estes links têm ar de serem bons, pronto é só para o site oficial. Que chatice estes gifs animados e pop-ups, adeus. Ui, espera lá, isto interessa-me. E pronto, já não estamos nesta página, abrimos outra tab, retomamos a “leitura”. Ler a totalidade de uma página digital, quanto mais se contiver muito texto, quase nunca acontece. Continue reading ‘Ler, outra coisa’

Podia começar este texto a descrever as coisas que tenho à minha volta. E não estou a falar das colunas e colunas de texto dos caros colegas que me rodeiam nesta página, na anterior e na que se segue. Estou a falar do que tenho em cima da mesa neste momento em que escrevo. A marca do computador em que estou a teclar.