Author Archive for Susana Pomba

Club Tropicana, os primeiros anos

A partir de agora, todos os meses haverá uma quinta-feira  reservada à D.I.S.C.O.Texas. Convidados especiais e os vários membros da trupe dos ananases vão animar as noites. Começam já no dia 4 e trazem o histórico Fred Falke. 

A maioria quer que a vida seja doce. Em todas as suas vertentes. Coisas demasiado salgadas não são para todas as bocas nem para todos os gostos. O Ananás no final das refeições corta as possíveis gorduras ingeridas antes e deixa um gosto doce na boca. Agora esperem um bocadinho que já cá voltamos. 

Quando os acontecimentos se sucedem a velocidades pouco habituais (leia-se “a grande velocidade”), é difícil, mesmo nos momentos de aparente lazer e pousio, ordenar os factos e tirar conclusões. Em dois anos e qualquer coisa, sete tipos DJs juntaram-se, assim sem se aperceberem muito bem e fizeram noites que, também não muito claramente, a princípio, apelidaram de D.I.S.C.O.Texas. Eles dizem que são sete mas é um bocado confuso, especialmente quando os vemos nos finais de noite todos ao molho dentro da cabine. O que está registado no site deles (página fresquinha, tem poucas semanas) na pasta “Artists” é: Moulinex, Xinobi, Double Damage (dois tipos, não se sabe quem, encapuçados com “máscaras caveira”), Bandido$ (que são dois), Cpt. Luvlace, e a última adição Gun N’ Rose (um alter-ego de Nuno Rosa). Voltem atrás e contem, eu não conto sete, há aqui algum mistério… Gajos com capacetes “fora”, vai-se lá saber. Continue reading ‘Club Tropicana, os primeiros anos’

A arte da fuga

O que andam os portugueses a fazer fora do país
Pedro Barateiro em Vigo e Paris
Nuno Gil em Nova Iorque
Lúcia Prancha e Bruno Cidra em França
Ana Quintans em Paris
Xinobi e Moulinex nos EUA
Ana Vicente em Londres

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É quase Verão (no Hemisfério Sul)

Vamos fazer um “shortcut” e saltar a parte do Inverno. Os Cut Copy vêm ao Lux.

Numa manhã de Sábado, estamos nós a regressar depois de uma óptima
sexta-feira à noite e já os australianos estão a pensar em sair outra vez de casa para dançar. Estamos nós rabugentos, a habituarmo-nos à chuva outra vez, estão eles, sem pensar duas vezes, a largar casacos em casa. Os australianos, por fuso horário e assim em traços largos, estão mais avançados que nós. É o que parece, assim em tom de piada fácil entre hemisférios, daqui de cima. 

O “buzz” desta nova onda australiana do que se pode chamar de pop dance (ou indie dance ou seja o que for) começou há alguns anos, mas este Verão teve um álbum e um grupo de nome fácil que liderou as atenções. Um nome que utiliza as palavras “cut” e “copy” é hoje, mais ou menos, o que um nome como “ABC” era nos anos oitenta. São estas as primeiras “letras” do alfabeto de quem aprendeu primeiro a clicar num rato.  Continue reading ‘É quase Verão (no Hemisfério Sul)’

A arte da fuga

O que andam os portugueses a fazer fora do país

José Maria Vieira Mendes em italiano
Madame em Shoreditch
José Albergaria em Paris
Miguel Palma na Bienal de New Orleans
Alexandre Estrela e André Guedes na Suécia
O novo projecto de Miguel Santos

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Muitos lados da mesma história

O cobertor sujo de Linus, o melhor amigo de Charlie Brown. Algo do qual não nos podemos separar. Esta é apenas uma hipótese. É bom construir histórias a partir das obras do artista britânico Ryan Gander, que vem a Lisboa inaugurar a Marz Galeria. 

Há pessoas que gostam de acumular coisas, papéis, por acharem que irão ser necessários algum dia, para alguma coisa, para o que for. Um dia vão ser essenciais e vamos sentirmo-nos tão bem por os termos guardado. Enquanto lia sobre o trabalho de Ryan Gander lembrei-me de um postal engenhoso que uma vez apanhei num lugar qualquer e que deve com certeza estar bem arrumado dentro de um livro ou no meio de outros tantos pedaços de papel que enchem prateleiras. A frente e as costas desse postal eram iguais, ambos se assemelhavam ao verso de um postal vulgar, com lugar apropriado para escrever a morada, colocar o selo e escrever a mensagem. Não tinha frente, não tinha “imagem”, nem nenhum slogan. Apenas uma frase adornava ambos os lados na perfeição – em fonte pequena e discreta – “There’s two sides to every story”/ “Existem sempre dois lados da mesma história”. 

Ryan Gander gosta de contar histórias e construí-las das mais variadas maneiras. Tudo pode servir – a sua mãe, um trabalho de um outro artista, o vídeo, uma animação, um argumento, uma instalação, uma escultura, uma pintura, um anúncio, um livro, uma fotografia, uma revista, a linguagem, outros criadores, uma conferência, uma entrevista. Continue reading ‘Muitos lados da mesma história’

A arte da fuga

Vasco Araújo no Jeu de Paume
Portugueses na Frieze Art Fair
Leonor Antunes em Berlim
Vasco Araújo e Ângela Ferreira na Bienal de São Paulo
Alexandre Farto, Nova Iorque e o agente de Banksy
Filipa Ramos na Galleria Galica
João Maria Gusmão e Pedro Paiva em Milão

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Entrevista Erol Alkan

Erol Alkan à conversa com Susana Pomba em Londres  

Num dos festivais de Verão deste ano, enquanto esperava ordenadamente pelo próximo concerto, um rapaz aproximou-se de mim entusiasmado, quase esbaforido, a pedir-me para tirar uma fotografia à minha t-shirt. Assim o fez e foi embora contente, genuinamente contente. Visto essa t-shirt com alguma parcimónia e orgulhosa por ter tido tanta sorte em ter conseguido comprá-la -“E.R.O.L., Keeps Kids Dancing”. É impossível negar a importância de Erol Alkan. O mito que cresceu com rumores das noites de segunda-feira do clube Trash em Londres, mais tarde com os seus famosos mash-ups (“Can’t Get You Out Of My Head” + “Blue Monday” nos Brit Awards…), depois no desenrolar de um enorme catálogo de remixes que vivemos e que rapidamente se tornaram épicos, lançaram “trends” e que os mais cínicos ainda esperam para ver se se colam com cuspo ou com cimento. Esperemos mais uns anos mas sem dúvida que as remixes para “Believe” dos Chemical Brothers, “Do You Wanna?” dos Franz Ferdinand, “Boys From School” dos Hot Chip”, “Waters Of Nazareth” dos Justice, “Golden Skans” dos Klaxons ou “Mammoth” dos Interpol, vão ditar muita coisa da História, que se escreverá depois, do que hoje vivemos. E mais se adivinha das suas colaborações recentes, como produtor, com bandas como os The Long Blondes, Mystery Jets ou Late of The Pier. E das suas aventuras como Beyond The Wizard Sleeve ou Mustapha 3000. Mas nada disto se completa sem estar lá. Num dos seus sets. Gosto de pensar que E.R.O.L. é definitivamente um dos grandes maestros. E só tem trinta e poucos anos, imaginem o que vem aí deste homem (de quase 2 metros!) que aos 4 anos, mesmo sem saber ler, conseguia distinguir os discos pelas rodelas e assim fazia de DJ para a mãe. 

O Lux está a comemorar 10 anos, mas estamos concentrados no futuro. Tens planos para a próxima década?

Eu nunca planeio nada. Tudo o que aconteceu nos últimos 10 anos tem sido uma progressão natural. Vou de uma coisa para outra. Em termos de carreira isto é quase uma coisa “suicida” – não saber o que se vai fazer. Eu acho isso entusiasmante. Quando comecei a gerir um clube (Trash) comecei-o porque era isso que queria fazer, queria tocar, ter a liberdade para o fazer e tudo se desenvolveu daí. Comecei a ser conhecido como DJ, e depois a andar pelo mundo e a trabalhar com bandas. Todas estas coisas aconteceram naturalmente, eu nunca sonhei que um dia fosse fazer isto ou aquilo, tornar-me num produtor ou num DJ. Não que não tivesse a ambição. Sinto é que a única coisa que realmente nos entusiasma criativamente, ou em termos artísticos, é aquele “spark” que nos leva a fazer alguma coisa. Quando sentimos que o que estamos a fazer é válido. Tem sido tudo muito natural. Eu só faço coisas quando me sinto verdadeiramente inspirado. 

Estamos a chegar ao fim desta década. Existe a tendência para pensar no que a define. Nos anos 90 foi o “boom” da dance music, das raves. Achas que estes últimos anos têm sido definidos pela junção do rock e da música de dança?

Eu sempre tive a consciência dessas duas coisas juntas. Para mim o que está a acontecer agora não é diferente do que o que os Chemical Brothers estavam a fazer no início dos anos 90. Se quiseres pensar na música de dança e no rock a fundirem-se basta pensares em muitas das produções britânicas pop dos anos 80.  Continue reading ‘Entrevista Erol Alkan’