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Vou-vos dizer a verdade: eu minto.
Este é dedicado ao Hugo que fez
“O Elogio da Crise” o mês passado. Se não te importares, vou saltar para a caravana do optimismo com umas dicas minhas, ‘tá bem?
Têm olhado para Lisboa ultimamente? A cidade está de beicinho à Rão Kyao, acagaçada com 2009. O metro e as paragens de autocarro estão cheias de braços cruzados a dizer “assim não brinco”. O frio e a longa ressaca da passagem de ano são o passe-partout para a demonstração de um talento demasiado português mais uma vez revisitado – o sofrer por antecipação.
Parece que somos animais cada vez menos naturais e que a nossa lógica nos foi deixando estúpidos. Nunca as coisas nos definiram tanto nem nunca nos custou tanto a definir as coisas. Materialistas subjectivos? Simbolistas concretos? Ao que nós chegámos… estamos mesmo em crise.
Eu ainda vivo na cidade onde nasci e recuso-me a viver numa Lisboa enconada. Com todo o respeito ao Zé que anda lá fora a trabalhar por nós, eu não quero ser emigrante. Adoro Lisboa. Adoro ter fome às 23, procurar um restaurante e ler na porta encostada o mais belo dos dizeres: “Estamos Abertos”. E é exactamente este espírito que mostra o melhor da alma de Lisboa. É isso que quero ver pendurado no Cristo Rei – “Estamos Abertos”.
Não sou político, puta, padre, psicólogo nem passador. Pergunto-me o que posso eu fazer para animar e levantar o espírito dos meus concidadãos. Que tenho eu que possa partilhar com os lisboetas para voltar a alinhar com o Tejo os narizes alfacinhas? A calçada é linda mas “a nossa vida é toda para diante”.
As gajas falam pelos cotovelos mas a cidades falam pelas paredes. E nos primeiros dias de Janeiro recebi o maior dos elogios que qualquer pessoa que brinca às ideias e às palavras pode receber – fui citado numa parede de casa de banho num bar do Bairro Alto. Muito honestamente, que se foda o Nobel! Esta é a derradeira palmadinha nas costas. Muito Obrigado. Obrigado por acharem a minha treta útil ou mesmo que serve algum propósito. E foi com este endosso que percebi qual o meu contributo para levantar os ânimos por aqui.
Quero que me mamem na TRETA.
Vou-vos continuar a dar TRETA porque acredito na caramelice universal das verdades demasiado evidentes para parecerem verdade. É TRETA que tenho para vocês, primeiro porque é o que eu sei fazer melhor e depois porque estou mesmo convencido que três aforismos bem metidos podem ajudar Lisboa a voltar a ser uma cidade aberta. Aqui vão, usem-nos bem. Continue reading ‘Quimpostor’

O questionário é básico, mas as respostas não. Juan Maclean tira a máscara e conta tudo, ou quase, o que gostaríamos de saber sobre o personagem mais enigmático da DFA. Com Elton John, Kiss, Butthole Surfers, sósias de Siouxsie Sioux, álcool, ácidos, livros, filmes e uma caixa de luz para combater a melancolia.
O primeiro álbum de Juan Maclean chama-se “Less Than Human”, o segundo, quase a sair, “The Future Will Come”. Qualquer nerd sci-fi ficaria entusiasmado só com os títulos e traçaria o perfil de Maclean como um homem-máquina, robótico nos motivos e na música, talvez brilhante como Robby The Robot, do Forbidden Planet. Juan Maclean é isso, claro, e as primeiras fotos que conhecemos dele até foram com uma máscara de ferro, mas não é bidimensional como as figuras de BD. Ele tem o que se chama história, experiência ou cicatrizes, se preferirem, que suplantam qualquer personagem que queira assumir. No início dos anos 90, teve uma banda indie rock, os Six Finger Satellite, que gravaram para a Sub Pop, a editora com mais hype na época grunge, mas abdicou de tudo (por razões explicadas abaixo) e entrou num período de reclusão existencial e musical durante anos, até renascer com membro da família DFA, ainda com vocação indie, mas agora de convicção dance. Pelo meio, as clássicas histórias de desamparo e redenção, com drogas e excessos, também intelectuais, à mistura. Não será o perfil comum do produtor de música de dança, mas ele também não é um homem nem um produtor comum. Ainda sob o efeito “Happy House”, um piano house épico com Nancy Whang a fazer de diva, uma das melhores canções de pista de 2008, aguardamos expectantes “The Future Will Come” e o regresso de Juan Maclean ao Lux. Eis uma breve resenha do homem e da sua história.
LISTA DE PRIMEIROS
Primeira coisa que fazes quando acordas de manhã:
Quando estou em casa, a primeira coisa que faço é ficar na cama com a minha light box, fico a olhar para ela enquanto leio alguma peça de literatura perturbante. Como sou dado à melancolia, a light box ajuda dando uma dose de sol artificial. Amis, Camus, Poe, Ellroy e amigos garantem o equilíbrio
Quando estou em viagem, a primeira coisa que faço é olhar para o endereço no telefone ao lado da cama para saber onde estou.
Continue reading ‘O que sempre quisemos saber sobre Juan Maclean’
Ele há meses assim. Em que, com ou sem ORÁCULO, somos surpreendidos, desafiados, testados, gratificados. Meses em que o milagre acontece, mais do que noutras alturas. O milagre ou o desafio, depende, cada caso é um caso… Mas mesmo assim te digo: “Your own experience is most affected by your own influence.”* Agora, e sempre.
Carneiro
Gémeos
Touro
Caranguejo
Leão
Virgem
Balança
Escorpião
Sagitário
Capricórnio
Aquário
Peixes

Sobre o amor já tudo se disse, sobre a falta dele é que não.
Liguei o computador para escrever sobre o amor. Vinha cheia de ideias, sentimentos, frases tão feitas e tão inspiradoras que nem o nevoeiro-à-D. Sebastião que paira sobre Lisboa as conseguiria dissipar. Até que me deparei com a folha em branco, o cursor a piscar, insistente, a pedir palavras. E percebi que isso era o mais fácil. Escrever sobre o amor, viver com amor, acordar e dormir com amor, é o mais fácil. A partir do momento em que se tem, é tudo de uma facilidade relativa. Difícil é viver sem ele.
Nada de equívocos, nada de vozes contestatárias. Partilhar a vida - sei-o eu, sabemos todos -, não é pêra doce. Não é com moeda ao ar que se decide quem vai primeiro para o duche de manhã, quem trata da loiça, quem leva o cão à rua quando os termómetros mal roçam aos valores positivos. Não é de cara alegre que se dá o braço a torcer, que se engolem sapos do tamanho de prédios de três andares, que se ensaia um pedido de desculpas. Não baixa em nós, subitamente, um manto de altruísmo que faz com que a divisão e a partilha se transformem na oitava maravilha (no tempo em que só havia sete, agora perdemos-lhe a conta), operações tão simples de realizar que até dão gosto.
Ter amor, viver com amor, fazer com que as coisas resultem, dá trabalho. Chatices pegadas. Discussões de bater com a porta. Ralações que nos levam minutos de vida saudável. Mas, não me lixem, não é, nunca será pior, que não ter ninguém. Já se sabe que há quem goste, quem viva assim por opção, sobre esses estamos conversados. Mas querer e não ter, procurar e não saber onde se encontra, viver com a solidão como inquilina, não é coisa que se deseje por tempo indeterminado. Continue reading ‘A porta está só encostada’

Capítulo anterior: Após uma tarde de sexo com a companheira de casa, Zé Miguel tenta evitá-la, o que nem sempre é fácil. / Acaba por esbarrar com ela e duas amigas, que o arrastam, entre risos e subentendidos sexuais, para um restaurante vegetariano. / Encontra entretanto o amigo designer, a quem confessa ter mudado de vocação: quer, agora, ser DJ. / Em fuga das raparigas, passa uma tarde a beber no Noobai, onde conhece o DJ Nuno Paz, com o qual fica fascinado. / O Nuno arranja-lhe emprego a servir copos na Capela. / Zé Miguel abandona o call-center para trabalhar na noite.
(o capítulo anterior pode ser lido em blog.luxfragil.com)
Folhetim de Maria Antónia Oliveira & António Néu
— Zé Migueeel! As três caipirinhas!
“Que chatos com as caipirinhas… Não sabem pedir cerveja?”
— Zé Miguel, vai levar uma imperial ao Nuno.
“Ainda um dia me hão-de levar cervejas a mim.”
— Obrigado. Zé Miguel, curte lá esta faixa: The Improvised Minotaur, do Spencer
Parker. É meio jazzy, sincopado…
“Brutal. Este Nuno é mesmo o maior!”
— Zé Migueeel! O que é que estás aí a fazer à conversa com o DJ? Não tarda pões-te a dançar… Olha o balcão!
“Caralho! Nem uma pessoa pode ter um bocadinho… De qualquer modo, isto está vazio…”
Era uma segunda-feira de Janeiro. A Capela tinha pouca gente. Dois grupos de estrangeiros conversavam na zona das mesas. Ao balcão, reuniam-se os noctívagos do costume, os que nem à segunda ficavam em casa e juravam a pés juntos que aquela era a melhor noite. Zé Miguel já os conhecia, de os ver ali à segunda-feira, no Jamaica às terças e quartas, quintas no Lux — e ao fim-de-semana no after do Europa.
— Vá, vai lá atender a Jennifer Lopez.
A “Jennifer Lopez” queria uma caipiroska. Largou um suspiro, pegou novamente no pilão e olhou para o Nuno Paz, que fazia uma passagem. Tinha combinado com ele ir beber um copo depois do fecho do bar. Queria muito falar-lhe de certas intenções que andava alimentando há algum tempo. E agora, que trabalhava na noite, tudo lhe parecia muito mais alcançável. Mas como passar de detrás do balcão para detrás dos pratos? Contava com a ajuda do Nuno, que parecia conhecer toda a gente.
— És novo aqui, não és?
Ergueu os olhos. Ela tinha mesmo a carinha da Jennifer Lopez. Olhou mais para baixo: e o rabinho também.
— Não… Já estou aqui há mais de um mês. Sabes que és muito parecida com a Jennifer Lopez?
— Achas?… Por acaso já me têm dito.
— Aonde é que vais a seguir? Não tarda fechamos.
— Ai não sei – fez ela, dengosa. — Estou com uns amigos e não sei o que é que eles querem fazer…
— Eu vou beber um copo com o DJ, que é meu amigo. Aquele ali, alto, o Nuno, vês?
Ela olhou, pegou na caipiroska e foi abanar–se para a frente do Nuno. Em honra da
Jennifer, Zé Miguel preparou uma rodada de tirinhos.
O bar fechava.
— Então, vamos ao Finas? Continue reading ‘O Outro’

Os melhores DJs nunca são apenas DJs. São pessoas que conseguem fazer passar, através da música, que são mesmo pessoas, complexas.
A francesa Chloé
é assim.
É um mito como qualquer outro. Os DJs não gostam de dançar, diz-se por aí. Mais depressa se encostam a uma coluna, para “ver como está o ambiente” – esse axioma universal, mas ao mesmo tempo muito português – em vez de se lançarem para o meio da pista de dança, desfrutando fisicamente do som seleccionado por outro qualquer DJ.
Tenho outro mito para propor. A maior parte dos DJs, como os melhores actores, são tímidos e inseguros, pelo menos os que são realmente bons e levam a sério a sua função. O seu palco é a cabine e a extensão, a pista de dança à sua frente. A música seleccionada é a forma de se projectarem, de se revelarem, de se exporem, aos outros.
Entrevistei uma vez a francesa Chloé. Ela faz parte de um colectivo que se chama Kill The DJ e criou até um tema denominado “I hate dancing”. Não me surpreendeu que dissesse que não gostava de dançar. Mas logo a seguir revelou que não existia sensação igual à de colocar toda a gente a dançar e de criar um ambiente de energia colectivo com elas, porque na pista, como em tudo o resto, é a partilha que interessa. Ninguém é feliz só e Chloé sabe-o. Continue reading ‘Chloé não gosta de dançar mas faz dançar’
A sedução não tem regras, só desejo, puro e líquido desejo. Pode ser o desejo obsessivo de um rosto ou apenas um desejo sem rosto ou até um desejo que tem mais o nosso rosto que o rosto que está diante de nós. O desejo contém em si alegria. E quando a alegria espreita dentro de nós, apetece-nos encantar o mundo connosco. Seduzi-lo, portanto. Charmá-lo. Chamá-lo.
Quando me lembro das minhas noites aos 16 anos é isso que recordo: alegria. Erámos muito novos. A nossa idade era igual à idade do mundo que também todo ele parecia uma novidade. Tinha 16 anos quando entrei no Frágil - era o único sítio onde me deixavam entrar, com aquela idade tão inocente quanto perigosa. O Alfredo, que me tinha visto crescer enquanto entregava antiguidades lá em casa, devia pensar para os seus botões que sempre era melhor eu estar ali, debaixo do seu olho infalível, que andar pelas ruas em aventura e desvario. E foi assim que o Frágil se tornou a minha primeira pátria nocturna. Há descrições do Frágil, mais distantes e analíticas, que o referem como poiso elitista de pós-modernos, em moldura de design exigente e decadente. Parece quase lúgubre assim visto, como aquelas fotografias a muito preto e pouco branco, em ângulos esforçadamente enviesados que então víamos publicadas na City francesa. Mas o Frágil que eu conheci e onde vivi noites que hoje em dia me parecem todas coladas umas às outras, como o Inverno na Islândia, não era nada disso. Continha alegria. Nalgumas noites, explodia mesmo em imensa alegria. Nós éramos novos, agora já íamos fazer 20 anos e o mundo inteiro estava a acontecer–nos à frente. Estávamos famintos de universo e, naquele momento embriagado, o universo era o nosso. Ali, existiam criaturas planetas, personagens estrelas e seres satélites. Nós queríamos ser estrelas se bem que, graças à nossa insignificante experiência, ainda satelizássemos a maior parte do tempo. Mas tudo o que queríamos era brincar à via láctea. Excitávamo-nos com as roupas que iríamos luzir, como se o nosso futuro dependesse disso. Intrigávamos bastante, que era uma forma de classificarmos o mundo. Bebíamos mais ou menos, consoante o fundo dos nossos bolsos. Apaixonávamo-nos numa bicha para a casa de banho, traíamos quando a porta se trancava. Discutíamos para nos abraçarmos. Beijávamo-nos como quem ri, ríamos como se beijássemos. E, claro, dançávamos como se voássemos.
Provavelmente, terei sido algures infeliz no Frágil. Mas não me lembro. A nostalgia é uma borracha mágica para verdades atrozes. E a memória uma fantasia jamais cronológica, graças eternas por isso. Distingo hoje apenas momentos muito nítidos numa época que ao longe parece essencialmente difusa, salpicada de purpurinas. Sei que foi no início que, as luzes de casa finalmente apagadas, preparava a fuga como quem escapa de Sing Sing. Estendia um travesseiro sob os lençóis, vestia-me no silêncio possível e, de sapatos pela mão, saía pela porta da cozinha, que deixava encostada. Descia até ao andar de baixo para evitar a campainha do elevador moderno e na rua, entre o medo e a excitação, corria. E tudo era possível até o dia raiar. Era possível, então, descer ao Conde Barão e alongar impossivelmente as noites. As Noites Longas eram o mais improvável e verdadeiro dos lugares. Aquele palacete já então estonteantemente fanado e decadente acoitava, a partir de dada hora,
noctívagos de todas as paragens. Dançava–se até Glenn Miller (juro, juro, juro) no salão escalavrado, ceava-se lá em cima numa cantina manhosa de néons e azulejos. O armário dos troféus, merecia-o todinho o Zé da Guiné, o homem mais janota da cidade capaz de arregimentar tantos pós-tracinho- -qualquer-coisa, cotovelos presos nos prés que éramos nós, os outros todos.
Um dia, começou a haver vida para além do Frágil, no Bairro Alto. Os Pastorinhos, essa capelinha de poço de dança minúsculo e enfurecido. O Sudoeste, tentativa cor-de-rosa que jamais chegou ao rubro. O Targus, pujante de jornalistas sentados em bicos dos pés. Ah, pois, existiam territórios no Bairro Alto. Tribos de jovens turcos e índios de penas na cabeça. Uns fotografavam para o Mais Semanário, outros escreviam no Independente. E picavam-se muito que, quando se procura afirmação, geralmente, encontra-se confrontação. Até ao dia em que os Romeus e as Julietas traem os Capuletos e os Montechios e tudo acaba em festa. E a festa acontecia agora em Xabregas. Uma viela escondida até à entrada, um armazém de chão de terra batida imenso, um sótão de madeira secreto e inesperado. Nada mais. Porém a primeira nuvem amorosamente química pousara sobre nós, transfigurando o lugar e os seres, ateando uma convulsão emocional. Estupidamente feliz, loucamente inebriada. Continuávamos a dançar, agora com os braços no ar.
Depois disso, o que aconteceu? Crescemos, obrigatoriamente, e continuámos a sair noite fora. Como? Deixem passar mais uns aninhos e logo vos digo o que a memória, a sedutora de voz maviosa, me sussurrar então ao ouvido.

Uma das figuras–chave da música electrónica e da cultura psicadélica da primeira década deste milénio, nos decks do Lux num ano que se perspectiva enorme
Uma sala, um P.A., um público, um sinal – som e espaço. Dois universos intrinsecamente ligados à música, raras vezes interiorizados e manuseados com tanta ciência e carinho como por Gavin Russom. Construtor de sintetizadores e parafernália electrónica, escultor, profeta do cósmico e do estelar, focado em desenhar aquilo a que soam “as sensações (…) quando estados psicológicos e espaços físicos interagem”.
O mundo começa a dar pela sua presença com o primeiro lançamento para uma DFA que, à época, acabava de se mostrar ao mundo com singles clássicos de LCD Soundsystem, The Rapture e a obra-prima de uma coisa ainda hoje sem nome que é “Beaches & Canyons”, dos Black Dice. “El Monte”, esse primeiro 12” de Delia Gonzalez (sua colaboradora de longa data) & Gavin Russom, bem como o LP que se seguiu, “Days of Mars”, tornaram-se de imediato dois marcos da electrónica e psicadélica desta década. Ajudaram de forma fundamental a influenciar e afirmar o ideário cósmico no panorama da produção de música de dança actual, trabalhando os ensinamentos dos mestres do kraut de Manuel Göttsching, Tangerine Dream e Klaus Schulze de como alcançar as estrelas através do som. Se hoje o cosmic disco, a op art imprópria para epilépticos ou o ideário new age são enormes espaços de criação artística em vários domínios, responsabilidade devida a Russom.
Construindo o seu vocabulário através de máquinas que ele mesmo fabrica, pode moldar o som desde o primeiro momento até à arquitectura final das suas peças com controlo absoluto em todos os processos. Génio do impacto acústico no corpo e no espaço, ajudou a montar o estúdio Plantain da DFA, para além de ter construído uma parte fundamental do arsenal sónico utilizado pelos Black Dice. Para os seus registos, a definição, textura e poder sonoros são avassaladores. Camadas e camadas de sintetizadores como fractais a aparecerem, a sobreporem-se, a desaparecerem, em constantes fugas e aproximações ao infinito, num corpo acústico indomável, de graves imponentes e leads radiantes.
É música para a pista de dança que pode existir na cabeça de cada um de nós, se para aí estivermos virados e para aí quisermos viajar. Contudo, terá havido sempre uma curiosidade de provavelmente todos os que alguma vez escutaram estas faixas, de como seria se houvesse um kick e um beat a comandá-las a pulso para o céu. Continue reading ‘Gavin Russom som e espaço’