fresco…
é só apanhar.
por cá…
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ou por aí.
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ou por aí.

Se o título deste artigo fosse facebook conseguiria muito mais leitores – o que só prova que as redes sociais de internet já fazem parte do dia. E da noite. Nada disto é científico, claro. Muito menos este texto (mesmo que diga a verdade).
Para a maioria das pessoas a vida é como o Fernando: umas vezes a pé, outras vezes andando. Ou seja, aborrecida e conformada. Condição que se agrava se tivermos em conta que a maioria das pessoas não faz o que gosta: seja lamber envelopes ou usar máquinas de calcular para fechar balanços.
Como dizia Tom Wolfe: “A realidade é um bom sítio para visitar mas eu não viveria lá”. Claro que Wolfe se referia à realidade de lamber envelopes enquanto se vê telenovelas.
O facebook não tem as qualidades risonhas do Prozac, mas parece-me ser um estímulo para que as pessoas ponham a cabeça a funcionar (um bocadinho mais).
Quando se questiona Johnny D sobre as suas primeiras experiências com a música electrónica, a resposta reside invariavelmente entre Mannheim e Frankfurt onde descobria os breakbeats aos treze anos.
Filho de refugiados da Eritreia, Johannes Debese recorda os primeiros sons da Tigrinya (herança cultural dos pais), do hip hop e do funk como um estágio precioso para aceitar esses novos sons do drum’n’bass de braços abertos.
Com o pulsar dos sub-woofers como fundo, cruza-se com Ray Okpara, agora já com a atenção presa ao magnetismo do 4X4 que os prendia à pista do Robert–Johnson – onde estreiam os ouvidos nos sets/odisseia de Villalobos.
Passada a febre minimal, Johnny D aparece como um dos nomes mais fortes na recuperação do house mais clássico, regresso às formas e tools da 1ª vaga americana. Quem está por dentro, diz-nos que quando a intelligenzia começa a torcer o nariz, é porque se está prestes a ouvir discos que nunca mais se esquecem.
Depois das edições na Oslo ou na 8 Bit, Johnny D estreia-se ao comando da pista de Sta. Apolónia.
No momento certo. Depois não reclamem. Nós avisámos.
Vou-vos dizer a
verdade: eu minto.
Os mortos não contam estórias, são as estórias que nos mantêm vivos. O whisky ajuda, empurra, mas são as estórias que levantam. Tenho de me deixar de preocupar com a História e participar todo inteiro nas minhas estórias. O meu sítio é agora e aqui.
Verdade verdadinha, nasci para ser um pateta eloquente. Isto, isto tudo é respiração boca-a-boca à distância e visto daqui parece que nos estamos a beijar. Há os Românticos, os Novos Românticos, e agora o Outro Romântico. Sim, quero ser o vosso Outro, aquele que não assumem a ninguém que gostam, mas que secretamente vos faz borboletas no estômago e não vos deixa focar porque de repente estão demasiado vivos. Sabem como as avós passam dias a cozinhar só para ver o prazer que temos a comer? Eu é tipo isso, só que em pastiche libertino de referências culturais e ideias com o coração ao alto, com o coração aos berros, só para vos ver a sorrir e fazer-vos sentir menos sozinhos. Sou a power balad daquela festa de slows que cada vez que
a ouvem na M80, voltam a pensar “porque é que não a/o beijei?”.
Mas agora, calma. Tu, desliga e descansa. A coragem é um fungo e a força começa quando a quietude acaba. Por agora descansa e chora, que mal não faz. Eu quero dar-te coragem, quero que os meus ombros tenham o tamanho das mãos que precisam de um, porque o que digo precisa de ouvidos. Quase quase sempre, damos o que queremos receber.
Agora, quero estórias.
DAFT PUNK
Around the World, 1997
Thomas Bangalter / Guy-Manuel de Homem-Christo
Em 1968, por altura do meu terceiro aniversário, a minha mãe decidiu presentear-me a mim e ao meu irmão com uma viagem a Paris argumentando que seria não só um bom tempo que passávamos juntos como uma “boa experiência de terreno”, o que só compreendi anos depois, vendo fotografias da “famosa noite das barricadas”.
Acabámos a noite em casa de um seu antigo namorado, um português que tinha sido o mais jovem agente da resistência francesa no tempo da guerra, de seu apelido Homem-de-Cristo.
Guy estava ainda longe de nascer, mas lembro-me do seu irmão e de o meu irmão me contar que andava com ele a deambular pelas manifestações, entre as quais teve a oportunidade de lhe passar alguns dos seus interesses e conhecimentos em encriptologia.
No momento em que novas teorias sobre o momento do mundo emergem impelidas pela crise, debruço-me (com vénia) este mês sobre aquele que considero ser o (único?) grande hit do novo século, e que como todas as grandes coisas novas de cada século foi criado no século anterior.
E debruço-me com o firme intuito de resgatar a sua honra do poço profundo em que os arautos do pós-modernismo o afogaram reclamando-o para eles como o ícone máximo do seu movimento.
Mal os primeiros sons da linha de baixo foram aflorados no quarto de Thomas, abanando as estruturas da música em todo o mundo, que todos os utilizadores de cartões de Frequent Flyer se puseram a caminho de Paris, com se fosse Meca, para prestar homenagem aos novos génios da pós-modernidade.
Como tantos outros artistas no seu tempo, os Daft Punk foram incompreendidos no estilo e na substância. Continue reading ‘Filologia Livre da Pop do meu poluído imaginário’
Absolut Techno
Se Paco Osuna é a mais nova coqueluche espanhola há um nome que ressoa mais alto que qualquer outro quando se grita “TECHNO!” com sotaque castelhano. Alex Under é o homem de que todos falam e querem ouvir. Na memória ainda temos a sua prestação no Lux aquando do Sonic Fresh, em Setembro de 2008, pelos atributos da sua música: techno incendiário, absoluto e imperial, a meio caminho entre os dedilhares melódicos de Detroit e a cirurgia rítmica alemã. Mas este produtor madrileno tem ainda na manga a magia de funk maquinal latinizado (a que Villalobos tanto recorre) para dar a cada noite um toque singular. Por isso, não estranhem, se depois de o ouvirem acharem que estiveram perante alguma da música mais imaginativa que se pode dançar.
O pingue-pongue continua. A Cama de Casal volta abrir-se para um duelo de discos que pode tomar rumos imprevisíveis. Tentámos antecipar o que pode acontecer com um questionário básico que revela informação preciosa.
HEIDI & YEN
GIRL TALK
O que sabes da Yen?
Heidi: Sei que é residente no Lux
O que sabes da Heidi?
Yen: Só sei que é uma mulher!
Que disco achas que a Yen vai passar de certeza?
H: Bem, como não a conheço, espero que passe alguns clássicos.
Se ela o fizer, já sabes com o que vais responder?
H: Nada melhor do que tocar um clássico a seguir a outro… as pessoas costumam adorar.
Que disco achas que a Heidi vai passar de certeza?
Y: Um qualquer da Poker Flat.
Se ela o fizer, sabes com o que vais responder?
Y: Toco um qualquer do Laurent Garnier.
Se o Djing pode ser uma técnica de sedução, qual o disco certo para começar uma noite? Continue reading ‘Cama de casal’
Esta é a minha declaração de ódio. A minha declaração de amor a todos os seus contrários. Nunca confiei no amor. A minha mãe sabia disso. Cedo me explicou que o amor era uma “experiência colectiva” (colectiva a dois, pois está claro) intelectualizando o assunto na esperança que eu lhe achasse algum interesse.
À distância dos anos acho que na altura pensava simplesmente em como seria foder. Fazer amor, como diria a minha mãe.
O amor sempre me pareceu uma questão política, algo estritamente necessário para preencher o vazio que se segue à paixão. Do amor nunca esperei nada. Não me parece plausível estar à espera de algo se não sabemos realmente se existe. Entreguei-me à paixão, nunca ao amor. Se o fiz foi engano. Surgia antes um verdadeiro comprometimento em mim. Uma vontade de mostrar que amava, e fazia-o de facto.
Ao longo dos anos eventualmente perdi toda a noção de mim.
É que, resultando a situação no caso do amor, rapidamente me encontrei aplicando-a a todas as situações. Usei isto como uma desculpa para a minha perda permanente de consciência, para a minha recusa quase genética em acreditar que todos podemos amar.
Agora, vim embora sem memórias minhas. E onde estou não há saudades…