A nostalgia é um prazer venenoso que nos embebeda de saudade e nos leva a dizer “antes é que era”. O antes já foi e o que interessa é o que vamos fazer agora. E seja o que for queremos fazê-lo convosco, na pista de dança até vermos nascer o sol de mais um dia. E aqui estamos vivos e juntos a cumprir a primeira década de um novo milénio. Vivos e juntos para por esses quintais adentro cantarmos orvalhadas e janeiras a raparigas casadas e solteiras. Vivos e juntos no início de um ano novo, ainda a acreditar no Amor e que a nossa vida é sempre para diante. Agora é altura de todos os inícios, porque Janeiro é um bom mês para começar outra vez.

Edgar Martins, “Caminho de Circulação de Aeronaves”, 2006
Edgar Martins nasceu em Évora (em 1977), mas cresceu em Macau.
Desde 1996 que vive em Inglaterra. Foi nesta primeira década do século XXI, que está mesmo agora a terminar, que começou a expor regularmente e foi reconhecido nacional e internacionalmente. No passado mês de Abril foi-lhe atribuído o Prémio BES Photo. Mas isto é apenas uma pequena parcela dos prémios e da atenção que tem recebido nos últimos tempos. Em 2010 e 2011 terá exposições individuais no Centre Culturel Calouste Gulbenkian, em Paris, e no Museu da Electricidade, em Lisboa.
A obra que este mês aparece aqui em formato “poster” é “Caminho de Circulação de Aeronaves”, 2006. Faz parte da série “Aproximações”, que nas palavras do autor, “é menos um conjunto de imagens e mais uma série de momentos na qual espaços, sinais e acontecimentos na paisagem se tornaram independentes de causalidade ou de função. Ela providencia encontros com um tempo tocado pela eternidade.”
Escolhemos esta fotografia porque não é necessário ver a totalidade da palavra escrita no alcatrão do aeroporto para perceber a direcção apontada. Porque, claro, nas palavras de Amadeo de Souza-Cardoso – a “nossa vida está toda para adiante”. Venha mais uma década, estamos prontos. SP
Edgar Martins, “Caminho de Circulação de Aeronaves”, 2006
Aeroporto Francisco Sá Carneiro da série “Aproximações”.
Prova por revelação cromogénea, colada sobre alumínio
98 x 127 cm
© Edgar Martins (www.edgarmartins.com)
Cortesia do artista e Galeria Graça Brandão
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